Melhores Animes Novos de 2019.

Kanata no Astra

Lerche (Assassination Classroom, Asobi Asobase) 

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Adaptação de um mangá de mesmo nome escrito pelo mesmo criador do bem sucedido mangá “Sket Dance” (Kenta Shinohara) que já teve adaptação em anime e alguns crossover’s com séries populares como Gintama, Kanata no Astra apesar de ser em sua essência um shounen assim como as outras obras do autor, é mais interessante e complexo do que pode parecer. 

O enredo conta a história de um grupo de estudantes que partem em uma expedição espacial para aprender sobre como se comportar em naves e explorar um planeta de acampamento chamado de “MCPA”.

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A viagem corre bem porém quando chegam no planeta uma espécie de esfera começa a sugar cada um deles como se fosse um buraco negro, onde os personagens presentes são lançados anos luz no espaço ficando a deriva.

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Por sorte coincidem de serem arremessados para perto de uma nave antiga, na qual buscam abrigo.

Depois de passarem pelo desespero, começam a examinar a nave para analisar se era possível voltar para casa utilizando-a, porém um dos personagens do grupo, Zack um prodígio em engenharia, diz que pela distância que estavam de seu planeta natal, o nível de combustível e quantidade de alimentos, seria impossível.

Depois de discutir por um tempo os personagens definem que a melhor solução seria parar de planeta em planeta para conseguirem alimentos e recursos.

A exploração dos planetas é sem duvidas um dos pontos mais bacanas do anime, existem vários deles, com floras e faunas diferentes, a criatividade do autor para caracterizar cada um e seres que ali vivem, por vezes interagindo com os personagens, é muito impressionante.

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Claro que existe um planeta de praia.

O anime segue com foco em sobrevivência e exploração, em conjunto com desenvolvimento da personalidade e dramas de cada personagem.

A partir do começo do segundo ato um novo problema é levantado: Zack descobre que alguém sabotou a nave e os personagens começam a investigar. Suspeitos entre os membros da tripulação são levantados e grande tensão é instaurada.

Outro ponto que é muito positivo no roteiro está no desenvolvimento dos personagens, seja em suas personalidades, ou superação dos variados dramas que cada passa, ou passou em algum momento.

O cast principal é composto por:

Kanata, um garoto que sonha em ser um comandante de uma nave mas que enfrenta a pressão de seu pai que quer impor ao garoto que seja um atleta de ponta e seu sucessor. Por conta disso ele possui habilidades atléticas acima da média de pessoas normais.

Sua personalidade é a do clássico protagonista de shounen com uma vontade de realizar feitos independente das dificuldades, nunca desanimando e sempre tentando ajudar seus amigos.

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A outra protagonista da série é Aries, uma garota filha única de uma mãe solteira que está indo na viagem para se divertir. Ela não sofre inicialmente de nenhum drama sério porém mais informações sobre seu são reveladas conforme o desenrolar da história.

Ela é muito divertida e extrovertida, mas segue por vezes o papel de personagem “desligada” padrão de animes.

Sua habilidade especial é a de memória fotográfica.

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Charce é um personagem que, inicialmente, revela-se muito inteligente em assuntos científicos na área de biológicas. A exemplo de Aries o enredo desenvolve seu passado e segredos durante o arco final da obra.

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Yunhua é uma garota tímida porém muito bonita que sofre por ter sido reprimida por sua mãe a nunca chamar atenção em hipótese nenhuma. Tal situação a tornou insegura e introspectiva.

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Luca é um garoto que também não apresenta grandes conflitos inicialmente na série, porém quando revelados esses são chocantes. Ele possui uma personalidade muito ativa e dificilmente se desanima com as dificuldades.

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Ulgar é de início o clássico personagem de cabelo preto zangadinho de animes do gênero, felizmente durante a obra, como todos os personagens, seu lado mais humano vai sendo desenvolvido.

Ele possui grandes habilidades com armas de fogo.

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Zack já foi citado. Esse é filho de um grande inventor, herdando inteligência no âmbito de engenharia eletrônica.

Ele conhece as outras duas personagens não citadas ainda desde criança.

Sua personalidade seque o arquétipo do clássico gênio sem sentimentos.

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Funicia e Quitterie, são ambas filhas de uma médica renomada, porém desde o início da série Quitterie deixa claro que não são irmãs biológicas, apesar suas semelhanças visuais. Também se recusando-se a interagir e aprofundar a relação.

A mais nova das garotas não possui nenhuma habilidade latente, já Quitterie herdou o talento da mãe para assuntos de medicina.

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Como é perceptivo cada um dos personagens possuem dramas inicialmente ligados a família e esses vão tomando proporções ainda maiores durante a história.

Outro ponto é que cada um possui habilidades especiais que os diferenciam um dos outros. É muito interessante vê-los trabalhando em conjunto por meio dessas habilidades.

Apesar da abordar vários assuntos complexos e situações complicadas, essa não deixa de ser um shounen, o que significa que padrões narrativos característicos desse tipo de demografia estão presentes na obra, ou seja, depois de cenas tensas é comum nos depararmos com os personagens vivendo momentos de descontração: dando festas, comendo aos montes e até mesmo enfrentando animais alienígenas ao melhor estilo battle shounen. O que é bom, já que cria um alivio cômico necessário para a série.

Existem ainda alguns pequenos pontos onde o ecchi e o romance adolescente é utilizado mas nada abusivo.

Todos esses aspectos ajudam a manter a essência de seu gênero.

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Em sua introdução a obra já demonstra um grande potencial, porém pode-se dizer que esse roteiro toma formas e rumos inesperados dignos de boas obras si-fi. Apresentando temas como: clonagem, tensões políticas envolvendo governos controladores, conspirações, alterações do passado etc. Essas são inseridas na medida certa em reviravoltas inesperadas que soam naturais.

A animação é lindíssima, possuindo traços consistentes com uma excelente fluidez, o mesmo vale para a utilização do CGI que é ocasional e bem alocado nas cenas.

O character design é muito agradável e cada um dos personagens possuem características visuais distintas, algo necessário em qualquer shounen de sucesso. 

A direção de Andou Masaomi surpreendentemente foi bem executada e funciona muito bem na maioria dos episódios, alguns dos estendidos podem ter um ritmo meio arrastado porém nada que chegue a incomodar.

Algo que pode de fato irritar na direção e composição da série são os numerosos cliffhangers. Quase todos os episódios são encerrados com um, então quem não curte muito essa ferramenta narrativa pode se incomodar um pouco. 

Como foi dito a animação é muito boa e a direção sabe utilizar de boas cenas de ação para potencializa-la.

A trilha sonora composta por Nobuaki Nobusawa e Masaru Yokoyama segue o padrão da obra.

Se existe algum ponto em que a obra erra esse sem duvidas é o seu final. Apesar de o anime ter doze episódios sendo três desses estendidos, a conclusão soa corrida com resoluções para conflitos complexos sendo realizadas de maneira pouco convincente e convenientes. Não apaga o brilho que a obra consegue construir até ali, porém poderia ser melhor.

Para quem busca um bom shounen com desenvolvimento interessante e verossímil de personagens, bons conceitos de si-fi, e uma aventura de exploração espacial divertida e bem produzida tecnicamente, Kanata no Astra é um escolha perfeita. Por mais que assuntos teoricamente sérios sejam abordados a obra não deixa de lado todas as características de shounen, podendo ser apreciada por diferentes públicos.

Não sei ao certo se de fato há uma declaração do autor sobre o mangá ter inspiração no seriado americano “Lost in Space” de 1965, mas a temática é a mesma e o título em inglês também.

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Carole & Tuesday

Bones (Fullmetal, Boku no Hero, Soul Eater, Noragami)

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Produzido pelo “estúdio Bones”, hoje um dos melhores de animes, Carole e Tuesday trata-se de uma obra original escrita por “Aya Watanabe” roteirista de séries televisivas japonesas e esposa do diretor do anime, o renomado “Shinichiro Watanabe”, diretor de animes excepcionais como: Cowboy Bebop e Samurai Champloo.

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Cowboy Bebop

Adiantando a parte em que o anime realmente se destaca, não posso citar algo se não a sua produção sonora. Apesar de contar com um forte foco em desenvolvimento de personagens, a obra foca principalmente na execução de cenas musicais.

O editor de som foi Shizuo Kurahashi de diversos trabalhos e a trilha sonora foi executada pelas cantoras “Nai Br. XX” e “Celeina Ann”, essas fazem as vozes das protagonistas durante as cenas em que cantam, algo ao estilo do anime “Nana” com Anna Tsuchiya e Olivia (salvo as devidas proporções, já que as cantoras contratadas para Nana eram mais renomadas na época do que as de Carole e Tuesday). A voz de Angela como cantora foi feita por “Alisa”.

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Como foi dito os momentos em que os personagens, sejam eles as protagonistas ou os coadjuvantes, se apresentam são os melhores da obra, tanto pela qualidade e variedade de músicas dos mais diferentes gêneros, como pela execução visual e direção dessas cenas, que possuem uma fluidez impressionante dando a impressão de estarmos assistindo a uma apresentação real. Cenas como a da apresentação de Angela no festival e a do episódio final são memoráveis. Essas que por sinal são bem dirigidas assim como a maior parte do anime, o que era esperado levando em consideração seu diretor.

A produção musical é vasta, existem várias faixas completas com letras interessantes que possuem muita conexão com o enredo apresentado. Esse cuidado em criar várias músicas lembra o que foi feito com o, já citado, anime de Nana e Beck por exemplo.

A animação em si possui uma boa qualidade, variando para baixo as vezes em arcos de slice of life e para cima em momentos de importância para o desenvolvimento do enredo. De vez em quando há utilização de cgi porém esse tem tanta qualidade que quase passa despercebido. Existem cenas estáticas com alguma frequência.

A estética é impressionante, utilizando bastante tons claros de dourado e branco para dar uma sensação de leveza e representar o talento das garotas.

O design de personagens é bastante original e foi feito por Eisaku Kubonouchi.

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Uma parada muito legal do anime é que todos os títulos de episódios possuem nomes de músicas de artistas famosos e esses fazem referência ao que acontece durante o episódio. Por exemplo o episódio 5 é titulado como “Every Breath You Take”, música do The Police.

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The Police

O enredo conta a história de Tuesday uma garota filha de uma mulher rica que atualmente está se candidatando a presidência de Marte.

Por conta do nome e tradição de sua família Tuesday sofre por não conseguir atingir as expectativas esperadas. Seu sonho era ser músico porém sua mãe a proíbe.

Cansada de sua vida essa foge de casa e pega um trem para a maior metrópole do planeta. Lá encontra-se por acaso, com Carole. Uma órfã refugiada da Terra que vive sozinha desde de muito pequena. Ela também sonha em fazer música e toca piano.

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Tuesday começa a viver com Carole. Certo dia ambas tocam sem permissão no salão da orchestra da cidade onde são filmadas e seu vídeo é postado no Instagram. Dias se passam e a performance viraliza. Descobrindo sobre elas, Gus, um produtor que atualmente está em decadência, começa a cuidar de suas carreiras.

Durante o processo da busca por sucesso essas passam por várias situações características de início de carreira de artistas. Elas cantam em bares, eventos televisivos ao estilo “The Voice” o “Mars Brightest”, abrem shows em festivais para cantores famosos, fazem parcerias, apresentações beneficentes etc.

Carole e Tuesday de todas as obras de música adaptadas em anime é uma das que melhor narra o processo e as características da industria musical, assemelhando-se  nesse sentido a obras como Beck, que no anime não mostrou muito isso mas no mangá representava bem os bastidores da industria musical. Todo esse processo é apresentado progressivamente, expondo as realizações e derrotas das personagens. 

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Sobre esses. Carole é como esperado uma das mais bem desenvolvidas, seu passado possui uma conclusão plausível e satisfatória. Sua personalidade é forte e muito cativante. O único ponto pouco explorado é o flerte dela com um personagem específico que surge no decorrer da obra, mas isso não é exatamente um problema em si.

O anime utiliza bem a protagonista como mecanismo para representar os refugiados e as dificuldades que vivenciam, o bacana é que ela assume essa questão e age como voz ativa dessa parcela da população.

O roteiro também trabalha bastante a questão da família. Carole obviamente sofre por não conhecer seus pais e ter vivido como órfã imigrante durante toda a vida.

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Tuesday também possui uma personalidade muito identificável. Diferente de Carole é um pouco tímida, na verdade no início da obra tímida até de mais e isso se deve obviamente pelas proibições de sua mãe. O roteiro trabalha sua evolução no quesito de interação social e também no musical. Existe ainda um pequeno arco em que trabalha um interesse amoroso dela.

Assim como a outra protagonista Tuesday também tem problemas familiares e o anime foca bastante no contra ponto entre ela e sua mãe, principalmente por terem ideologias conflitivas.

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Angela também recebe muito foco narrativo e de todos os personagens talvez os seus sejam os mais interessantes. Ela divide o protagonismo da série sendo uma espécie de co-protagonista.

Essa é filha de Dahlia, um homem travestido de mulher que quer transforma-la em uma estrela a todo custo.

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Em meio à busca, sua mãe a leva a um produtor que trabalha em desenvolvimento de IA, Tao. Esse é aquele clássico tipo de personagem de anime monossilábico, frio e misterioso. Recebendo foco na parte final, que culmina em uma conclusão decepcionante.

De qualquer forma exerce muita influência no enredo, principalmente do núcleo de Angela.

Com auxílio de letras escritas pela IA e por mecanismos que ajudam em sua performance, Angela rapidamente faz sucesso, tornando-se um dos expoentes de uma nova geração de cantores.

Sua trama discute as vantagens e desvantagens que a fama traz. Em um dos arcos do anime por exemplo essa tem que lidar com oportunistas e stalkers. Essas situações são trabalhadas com seriedade e funcionam muito bem.

O roteiro também apresenta a dinâmica da relação com a mãe e os efeitos de seu passado, como os resultados da criação de uma figura mirim de sucesso e do processo de fabricação de uma imagem artística.

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Outros personagens como Gus e Ertegun também possuem arcos muito interessantes e são personagens bem escritos. Já o resto do elenco é apenas funcional.

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Como foi dito a trama consegue desenvolver bem os lados da industria de maneira interessante e realista. Junto disso apresenta as consequências da fama como vícios de bebidas e drogas, depressão, pressão social etc.

Os episódios que focam em Flora e Desmond são particularmente os meus favoritos, a discussão e apresentação dos temas desses é séria e madura.

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Quanto ao desenvolvimento de mundo é aonde o roteiro demonstra defeitos. Vários conceitos complexos como utilização de inteligência artificial na sociedade, suas vantagens e desvantagens, imigração, xenofobia e criação de músicas por meio de programas são levantados, porém suas resoluções são rasas, estranhas ou as vezes nem ao menos existem.

Começando pela questão política:

É evidente que o roteiro busca representar situações complicadas sobre refugiados vividas atualmente em locais reais da Europa e obviamente Estados Unidos de uma forte política de seleção e por vezes proibição de imigrantes e refugiados.

A mãe de Tuesday é uma candidata de pauta anti-imigração que possui um discurso agressivo. As consequências dessa posição e de sua popularidade nas pesquisas causam protestos e conflitos realizados por artistas a favor da imigração.

O grande problema dessa questão é que o anime não apresenta os dois lados desse conflito. Temos Carole e mais tarde Ezekiel que são representações de pessoas boas imigrantes, que adicionam algo a sociedade, porém não existem representações de indivíduos problemáticos. A questão política é unilateral: imigrantes são os bons e os que discordam com seu êxodo são os maus.

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Sobre a utilização de IA na fabricação de músicas o anime me irritou por simplesmente deixar de trabalhar algo que flerta diversas vezes.

Ambas as protagonistas começam suas carreiras sem fundos, o que as leva a compor suas músicas da maneira tradicional. Até mesmo quando conseguem um produtor continuam sozinhas. O anime diversas vezes deixa claro que um dos grandes diferenciais delas é o sentimento que imprimem nas faixas de sua autoria.

Em outros momentos como quando Ertegun perde suas finanças e precisa compor sem IA, o personagem demonstra fragilidade pois acostumou-se com a conveniência que elas proporcionavam.

Em outro Angela demonstra medo dos métodos de Tao e resultados de seus produções.

O anime deixa evidente que a fabricação de músicas sem identidade dos cantores é algo que apresenta problemas. Essa problemática é debatida também em nossa realidade, onde existem diversos artistas que não escrevem as letras nem compõem suas próprias músicas. Porém o anime esquece esse debate e ao seu final não existe nenhuma vantagem clara de Carole e Tuesday não utilizarem tais meios. Os outros cantores famosos como Crystal, que usam, não apresentam desvantagens.

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Claro que em alguns momentos como na própria música final, criada pela dupla, que possui uma forte mensagem, podem dar a entender que não poderia ter sido escrita por uma IA. Porém isso é algo interpretativo.

Outro problema grave do roteiro está na sua composição, o episódio final é extremamente corrido, acontecem várias resoluções de questões levantadas em apenas 20 minutos, e o pior é que nenhuma delas foi satisfatória o suficiente.

A tensão social da cidade em si é o padrão de cidades que vivem polarizações políticas, várias manifestações e em alguns momentos atentados terroristas acontecem, o que cria um sentimento desociedade viva.

SPOILERS:

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Durante o anime inteiro a mãe de Tuesday, Vallerie é uma candidata a presidência de pautas anti-imigração, que possui apoio e influência de figuras políticas contestáveis. Com o esforço de seu filho e de um jornalista provas são levantadas sobre o principal personagem que a manipula. O que irrita é que a mudança de atitude dessa acontece em menos de 3 minutos, sendo abrupta, o que soa artificial.

Tao que durante o anime inteiro deixa a entender que está arquitetando algo, finalmente consegue concluir seu plano, o problema é que descobrimos do que se tratava, quem era seu alvo (que inclusive é preso nesse mesmo episódio) e ainda por cima a conclusão de seu relacionamento com Angela no MESMO episódio. – Aliás, que porcaria de conclusão -. De maneira repentina esse revela que ambos são criados em laboratório e que foram adotados.

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Quanto a execução da música final não vi nenhum problema. Por mais clichê de “Todos viveram felizes para sempre” que seja, é razoável aceitar que esses personagens mereçam aquele final. O contexto em que o anime se encerra dá “aval” à utilização desse clichê.

Não sei se foi só eu, mas senti uma referência a música do Michael Jackson “We Are The World” nesse momento.

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Carole e Tuesday é um anime que possui uma qualidade técnica absurda: execução extremamente competente, boa direção, excelente execução visual e principalmente trilha sonora variada.

Apesar de um roteiro com problemas de conclusão e de nuances levantadas, a obra consegue ainda assim abordar temáticas complicadas e ao mesmo tempo desenvolver bem o universo musical em que é situado.

Kimetsu no Yaiba

Ufotable (Fate/Stay, Fate/ Zero, Kara no Kyoukai, Tales of’s)

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Adaptação de um shounen promissor da “Shounen Jump” de mesmo nome, escrito por Koyoharu Gotouge, e o primeiro anime desse tipo adaptado pelo estúdio Ufotable. A obra conta a história de Tanjiro, um garoto que mora com sua família em uma cidade do interior do Japão durante o período Meiji.

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Hoje pelo sucesso do anime as vendas desse mangá explodiram e ele chegará em 2020 ao Brasil.

Certo dia esse sai de casa para realizar algumas tarefas. Quando volta encontra toda a sua família morta e um Youkai comendo seus cadáveres.

Dentre os membros de sua família apenas sua irmã Nezuko aparentava ter sido poupada. Apesar dela o atacar, Tanjiro a carrega e começa a fugir desesperadamente.

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Durante a fuga um espadachim aparece e derrota o Youkai, porém também ataca Nezuko que revida. Tanjiro então percebe que ela também havia se tornado um, porém essa consegue se conter e agir com alguma humanidade.

Após o protagonista implorar por clemência ambos são poupados.

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Ele pergunta para o espadachim se era possível transforma-la de volta em humana, e ele diz que não sabia se era possível, mas da a localização de alguém que poderia ajuda-lo.

Chegando no local conhece Urokodaki, um antigo membro da ordem dos “Hashiras”, organização criada para o combate de Yokai’s e principalmente para bater de frente com os “12 Kizuki’s”, liderados por Muzan Kibutsuji, um Youkai superior muito forte, responsável pelo grande número de demônios a solta atualmente.

Urokodaki diz que as características anômalas de Nezuko como demônio provavelmente tem algo a ver com Muzan.

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O antigo Hashira diz que treinará Tanjiro para que possa realizar a prova da organização dos Hashiras, assim tentando encontrar alguma solução para o caso de Nezuko.

Inicia-se então o tradicional arco do treinamento de shounen, porém assim como tudo que é clichê do gênero e Kimetsu desenvolveu, esse é muito interessante e possui características próprias cativantes, que em conjunto a uma direção acima da média potencializam o arco.

Tanjiro consegue vencer o treinamento e a prova dos Hashiras, tornando-se um dos membros do grupo de extermínio de Youkais.

Durante o início da obra presenciamos ele cumprindo algumas missões levando junto de si em uma caixa, Nezuko, que por ser Youkai pode diminuir de tamanho e é vulnerável a luz solar. 

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Ela também participa das batalhas.

Durante essas missões vários demônios são combatidos, onde cada um desses são derrotados em sequências excelentemente dirigidas e coreografadas.

O bacana dos yokais enfrentados é que todos possuem um bom desenvolvimento para explicar como se tornaram monstros. Seus objetivos e dramas pessoais são interessantes, o que ajuda a criarmos pelo menos alguma empatia por eles.

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Com o passar da história mais personagens se juntarão ao grupo do protagonista como Inosuke e Zenitsu, que apesar de possuírem personalidades mais voltadas para o humor são bem desenvolvidos.

Imagino que muitos que assistirem os considerarão irritantes. Afinal, eles são mesmo.

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Sobre o antagonista não existe expressão melhor se não ameaçador. Todas as cenas em que aparece faz algo extremamente violento e chocante e isso aliado as suas expressões, entonação de voz (feita por Toshihiko Seki) e direção das cenas o tornam um dos melhores vilões do ano. 

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A adaptação de roteiro foi boa, existem alguns momentos muito característicos de Shõnen, porém esses não chegam a incomodar. Por mais convencional que seja escutar frases motivacionais e ver personagens com uma vontade inabalável, essas características batidas do “gênero” são ofuscadas pelas outras qualidades do anime.

A primeira temporada de Kimetsu termina com um bom universo estabelecido, recheado de perguntas interessantes não respondidas e cheio de personagens divertidos. O que foi mostrado foi muito bom e o potencial da trama é altíssimo.

Visualmente é estonteante, apresentando uma das melhores – se não a melhor – animação de animes serializados na atualidade. Batendo de frente com a qualidade visual de filmes da própria ufotable como: “Fate/Stay Night: Heaven’s Feel”.

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A animação é fluída.  Efeitos de partículas na animação, raros em animes, são algumas de suas principais peculiaridades.

Um ponto muito bacana dela é o visual dos golpes dos diferenciados elementos. Graças a utilização de partículas e um bom CGI, esses são estonteantes e impressionantes

A maneira como são executados lembra muito o visual das habilidades de Yokai do jogo Nioh.

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Como foi dito, o anime utiliza bastante CGI e diferente da maioria das obras que possui a ferramenta, em Kimetsu essa é um ponto positivo. Com ela cenas incríveis são criadas, como os planos sequência nas cenas da descida da montanha do treino e durante o próprio episódio 19, onde a câmera muda de ângulos diversas vezes.

Sua estética possui traços semelhantes aos da obra original, apostando em tons escuros que buscam representar os perigos desse universo. O interessante é que finalmente vemos a ufotable produzindo um anime sem o character design tradicional que o estúdio utilizava, adotando traços semelhantes ao mangá, o que foi uma escolha assertiva.

A direção é impressionante, principalmente se levarmos em consideração que Haruo Sotozaki havia dirigido apenas Tales of com algum renome. Mas como já foi citado, aqui ele trabalha de uma maneira espetacular tanto as sequências de batalha, no uso de CGI, em ângulos da animação e até mesmo timing cômico. Cenas como a do templo de Muzan são marcantes.

A trilha sonora é bem alocada e composta, trabalhando música tradicional japonesa, instrumentais e órgão, o que cria um desconforto para alguns momentos. Algo característico das trilhas de Yuki Kajura, de animes como Fate/ e Kara no Kyoukai.

Vários momentos tensos e épicos são intensificados pelas espetaculares faixas.

Existem ainda alguns episódios com insert songs, como por exemplo o já citado episódio 19.

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Sim esse ep é do krl.

Kimetsu no Yaiba é um exemplo, que deveria ser seguido, de como se fazer uma adaptação de animes shonen. Todos os arquétipos desses são presentes, inclusive com todos os clichês, porém nada disso tornou-se um problema pelo simples motivo da competência da exuberante qualidade de direção e animação.

Esse é um anime simples em roteiro, mas com um universo interessante, que sabe fazer o básico bem feito. Sendo perfeito tecnicamente, apresentando cenas de tirar o folego.

Demon Slayer é um dos melhores shounen’s dos últimos tempos, talvez da história.

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Obra original escrita pela renomada roteirista de animes repletos de teor humano, Mari Okada. Araburu é mais um exemplo de como o gênero de comédias românticas em animes ainda pode apresentar abordagens diferentes do usual.

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A autora que já escreveu sobre culpa, perda, maternidade, guerra, emoções, amizade e romance, dessa vez criou uma obra com um grande foco em puberdade na adolescência e o desenvolvimento dos desejos e interesses sexuais. Temática que já foi abordada em diversas mídias diferentes mas que nos animes em si são poucos os que trabalharam de maneira convincente.

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Mari foi a roteirista de um dos melhores animes de Gundam já lançados. Iron Blooded Orphans.

O enredo se inicia com Kasuza e suas amigas no clube de literatura da escola. Após uma sessão de leitura de romances com várias citações sexuais uma de suas companheiras Sugawara diz que sente interesse sobre o assunto e que antes de morrer queria experimentar aquela experiência. A declaração causa certa comoção e surpresa no momento, devida a inocência que algumas das garotas, então Sonezaki, líder do clube, encerra a sessão.

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Kazusa vai embora para casa e conforme o tempo passa nota que está pensando cada vez mais sobre o que aconteceu no clube e sobre sexo, mesmo que inconscientemente, algo que até então nunca havia acontecido. Como é de se esperar, de início ela estranha essa situação e não entende o que está acontecendo.

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Sua mãe acaba por pedir que essa leve uma marmita para seu vizinho e amigo de infância Izumi, que estava sozinho. Quando entra na casa do garoto o encontra assistindo porno e se masturbando.

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A protagonista entra em choque e sai correndo, e depois recobrar a calma finalmente percebe que não só ela está desenvolvendo desejos advindos de sua puberdade mas que todas as pessoas que conviveu, a exemplo de seu amigo de infância, também pensam sobre o assunto.

O roteiro segue com o desenvolvimento de cada uma das cinco personagens femininas principais no âmbito de seus sentimentos amorosos e desejos carnais, ao mesmo tempo que tentam acostumar-se com as modificações que essa etapa da vida cria.

Cada uma possui seu interesse romântico estabelecido e a relação pessoal entre elas vai gradativamente influenciando nos romances e conflitos umas das outras, com formação de triângulos amorosos, desenvolvimento de romances platônicos, relacionamentos abusivos, relações entre pessoas maiores de idade com menores, etc.

A obra aborda o amor, sexo e a correlação e dissociação que ambos os sentimentos tem entre si.

O impressionante é que consegue narrar e tratar dos mais diferentes níveis de problemática com o tato e maturidade necessária. Questões complicadas como: descobrimento de sentimentos homo afetivos, gravidez na adolescência e até mesmo  – de certa forma, pedofilia (obviamente não é incentivada) – são abordadas.

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Esse maldito personagem…

Cada um dos personagens possui um bom desenvolvimento de personalidade.

Kasuza é uma garota simples, e inocente, mas determinada. Talvez dos personagens essa seja a mais básica. Seu desenvolvimento é previsível mas compressível.

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Niina é outra das protagonista. Ela é popular e demonstra uma grande confiança e maturidade perante assuntos de sexualidade, sendo extrovertida, provocativa e as vezes até mesmo atrevida. Sendo o tipo de pessoa que não se contem quando deseja fazer algo.

Por vezes esse tipo de atitude causa problemas para ela e outros personagens da obra.

De início não se sabe muito os contornos da sua personalidade, porém conforme a obra desenvolve-se essa demonstra-se confusa e perdida perante seus sentimentos amorosos.

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Hongou é uma garota que atualmente está escrevendo um romance porém está encontrando dificuldades na criação e desenvolvimento da obra. Para sua ficção tornar-se mais verossímil essa tem a ideia de utilizar empirismo, começando alguma relação amorosa e sexual.

É com essa ideia em mente que acaba marcando um encontro com um anônimo da internet e durante o evento descobrindo que esse era seu professor da escola. Dai em diante ela começa a chantagear-lo para ficarem juntos, mas acaba se apaixonando.

Como todas as personagens Hongou possui pouca experiencia com romances e por vezes age de maneira inocente. Em certos pontos lembra Niina, não visualmente mas em personalidade, estando disposta a atingir seu objetivo independente do que for necessário.

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Momoko de todas as personagens é a que na maioria das vezes age de maneira racional, sempre tentando ajudar suas amigas em seus relacionamentos, mesmo não possuindo experiência no assunto.

O desenvolvimento de seu romance acontece perto do ato final, mais dicas minuciosas são deixadas sutilmente durante os atos.

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Rika é a presidente do grupo de literatura, sendo o clássico tipo de personagem que por não conseguir ser popular e não enquadrar-se em padrões considerados atraentes pela sociedade escolar tornou-se amarga. Criando aversão a esse núcleo de pessoas e ao que fazem, dentre essas; romance e sexo.

Rika claramente quer experimentar essas experiências, mas por nunca ninguém apresentar atração por ela, acaba por criar mecanismos de negação como: dizer que não se importa, etc.

Seu desenvolvimento é impressionante e realista. Sendo um dos mais bonitos da obra.

É muito legal perceber como Shun (seu interesse romântico) consegue influencia-la positivamente.

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Outros personagens masculinos como Hisashi, Shun e principalmente Izumi e Tomoaki possuem grande interferência.

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No geral a animação mantem-se satisfatória. O design e direção artística conseguem compensar possíveis lacunas nesse âmbito.

A trilha sonora é muito boa sendo um dos pontos mais importantes da obra, bem alocada em momentos dramáticos, cômicos e românticos.

A direção junto de seu roteiro é um dos fatores de maior destaque, feita por dois diretores diferentes: Takurou Tsukada, que até então apenas havia dirigido os ruins animes de Fate/Grand Order e aqui com o auxílio de Masahiro Andou realizou seu melhor projeto. É visível na qualidade das cenas e na direção das sequências as características desse diretor, que já trabalhou em outras excelentes obras de romance como Shirayuki Hime e o longa Stranger.

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Um dos pontos mais legais de sua direção está no desenvolvimento de cenas com referências sexuais, existem várias sutis e engraças como a do primeiro episódio que faz uma metáfora com um trem. Outras cenas em momentos tensos, como todas as em que Hisashi aparece, são incomodas e por vezes nojentas, porém as românticas são cativantes e representam uma grande beleza contextual. 

Se for para citar onde o anime erra esse sem duvidas é o seu arco final. Não acredito que seja por falta de planejamento em si, mas apenas por escolha de roteiro, mas conclusão soa vaga e abrupta. Por mais que grande parte dos dramas tenham sua conclusão – a maioria pouco convincente – muito é deixado de lado, e isso em conjunto a um final em uma circunstância absurda, totalmente fora da normalidade para o padrão da obra, tornou tudo ainda mais estranho.

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Sarazanmai

MAPPA (Garo, Sirus, Banana Fish) 

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Obra original de fantasia, com referências culturais do folclore japonês, Sarazanmai foi roteirizada por Kunihiko Ikuhara diretor e roteirista de obras espetaculares e muito importantes como por exemplo as duas versões de Utena e Mawaru Penguindrum.

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Shoujo Kakumei Utena

Para quem já o conhece o roteirista provavelmente já imagina que esse anime possuí características fortes de desenvolvimento de personagens e de seus dramas pessoais. Se imaginou dessa forma está completamente certo.

A história gira entorno de três protagonistas: Kazuki, Enta e Tooi que acabam se encontrando por acaso em frente a um templo de um Kappa. Lá começam uma discussão que termina na destruição do monumento do local.

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Kappas são youkais aquáticos. Youkais são seres sobrenaturais do folclore japonês, podendo se tratar de espíritos, demônios e monstros.

Segundo as lendas kappas se assemelham a crianças no tamanho e físico, suas mãos e pés são semelhantes a de patos, possuem uma casca nas costas que lembra a de uma tataruga, geralmente possuem cabelos longos e pele escamosa. Suas cabeças contém uma espécie de prato com água o que mantém seus poderes ativos quando fora dela. Eles podem ser tanto maléficos quanto benéficos, algumas regiões do japão inclusive possuem templos e cultuavam esses seres.

Mais referências sobre sua mitologia é mostrada sutilmente durante o anime como quando os protagonistas lutam sumô enquanto transformados em kappa. Segundo lendas esse é um dos desafios que eles propõem à humanos. 

Vários animes como por exemplo Gintama em seu episódio 21, já mostraram ou contaram histórias com kappas aparecendo, até mesmo o cartoon de Hellboy já apresentou um deles.

Depois de derrubar a estátua um Kappa real surge (Keppi) e chupa a “Shirokodama” dos personagens que são transformados em Kappas.

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Shirikodama é uma energia contida no ânus de todos os seres. Quando sugada por um kappa (no anime), a vítima transforma-se em um, sendo transportado para o mundo espiritual.

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Os protagonistas agora nesse mundo tem a missão de derrotar os “Kappa Zombie’s”, seres humanos corrompidos por seus desejos extraídos pelos policiais, Mabu e Reo a mando do império das Lontras.

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Para derrotar os Kappa Zombies é necessário conectar-se e lutar. Ao fim da batalha deve-se capturar a Shirikodama do inimigo.

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Um “Kappa Zombie” perdendo sua “Shirikodama”

A capturando eles recebem um prato da esperança (que caso coletados cindo podem realizar qualquer desejo) e são levados a um espiral onde há um vazamento de emoções, desejos ou atitudes do passado dos humanos transformados em zombies e de um dos personagens principais. É geralmente durante esses vazamentos que informações são apresentadas para solucionar, esclarecer ou causar conflitos entres os três protagonistas. 

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Uma cena de “vazamento”.

Por mais absurda e confusa que inicialmente essa premissa possa parecer tudo faz sentido dentro do universo da obra, sendo explicado de maneira literal. – Não há muito espaço para interpretações como em um Monogatari da vida por exemplo-.  

O termo Shirikodama não foi criado pelo anime, nos contos folclóricos dos kappas tal energia contida no ânus humano, sugada por esses seres misticos, já havia sido citada. Não existe a definição concreta do que seria. No anime é baseada nos desejos e emoções, já algumas lendas antigas dizem que é a alma humana objetificada fisicamente.

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O anime então segue nos mostrando as missões realizadas pelos protagonistas em meio as batalhas contra os Kappa Zombies, mais sobre os inimigos Lontras e dramas de cada um dos personagens que seguem sendo gradativamente apresentados.

Como todos possuem dramas complicados durante as missões cada um demonstra necessitar dos pratos de desejos e o conflito de quem vai ficar com é um dos pontos centrais da obra.

Várias questões sérias como criminalidade, irmandade, amizade, família, romance e desejos são abordados, e em sua grande maioria todos esses são concluídos de maneira madura. O arco de Tooi por exemplo é muito pesado e tem uma conclusão corajosa.

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Arco de Tooi.

Sobre as Lontras, os grande vilões da série. Não encontrei nenhum conto do folclore que se refere a elas, mas como o próprio anime diz esses são, em essência, um conceito personificado.

A razão para os vilões serem esses animais provavelmente está ligado ao jogo de palavras. Como a obra trabalha com sentimentos e conexões a “mentira” é uma das temáticas presentes. Lontra em japonês se chama “Kawauso” enquanto mentira é “Uso o tsuko”, assistindo o anime é perceptivo a semelhança semântica entre os termos parônimos, dessa “brincadeira” que surge o nome dos vilões. 

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Visualmente a obra é estonteante. Seja na animação em si (que é lindíssima e bem animada, as cenas de danças, esportivas ou combates são fluídas e agradáveis, sendo um dos animes mais bonitos do estúdio e do ano) ou artisticamente.

O anime utiliza muito metáforas visuais, como por exemplo os itens do desejo dos kappa zombies voando pela cidade, surrealismo em cenas relacionadas a fantasia desse mundo  (algumas imagens desse post deixam isso claro), e fotorrealismo quando representa a cidade.

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Ele também não deixa de lado o minimalismo nos pedestres, algo que Monogotari fazia por exemplo. Como existem vários membros da staff que trabalharam nessa série claro que não é mera coincidência.

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Por falar em direção, os dois diretores, Nobyuki Takeuchi e o roteirista e também diretor Kunihiko Ikuhara, fazem um trabalho muito bom, principalmente nas cenas dramáticas, existem duas específicas, uma relacionada a Tooi e outra a Kazuki que estão entre as melhores do ano. 

A trilha sonora é outro ponto de muita qualidade de Sarazanmai, seja por sua abertura e excelente encerramento (feito pela banda The Peggies) ou por suas insert songs viciantes. Existem várias delas, mas sem duvidas a minha favorita é a “Kawausoiyaa”.

Essa é uma obra de uma excelência técnica e criatividade artística rara, que deve ser respeitada por esses aspectos. Mas que também deve ser levada a sério por seu roteiro que trata de emoções e dramas complexos de maneira madura e bem desenvolvida.

Fonte sobre o termo “shirikodama”:

Kappa to Shirikodama – Kappa and the Small Anus Ball

Kono Oto Tomare 1° e 2° Temporada 

Platinum Vision

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Adaptação de um mangá muito conceituado e premiado de mesmo nome escrito e ilustrado por Amyuu Sakura, estreou esse ano ainda na temporada de outono e recebeu sua segunda temporada na de primavera.

O enredo conta a história de três protagonistas principais.

Chika, um garoto que desde o fundamental se envolvia com delinquentes, por conta da sua força começou a ficar falado no meio desses grupos e mal falado nas escolas e vizinhança. Ele foi criado pelo seu avô que era dono de uma loja de kotos artesanais.

Certo dia se envolve em uma briga com um grupo e esses decidem se vingar do protagonista quebrando a loja e os kotos de seu avô. Dias depois o senhor acaba morrendo e Chika carrega uma culpa por não ter aproveitado da melhor maneira o tempo que teve juntos.

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Por conta disso decide aprender a tocar Koto honrando a memória de seu avô e para isso entra no clube da escola Tokise que agora começava a ser administrado pelo outro protagonista da série Takezo.

Um jovem que sente-se em constante inferioridade, isso porque nunca teve sucesso em nada que tentou e por ser tratado de maneira diferente por seus familiares.

Quando ainda era um segundanista entra em uma eliminatória regional de koto com os membros do seu clube porém esses acabam sendo eliminados. Ele sente frustração por não poder ajudar suas senpais a chegar aos nacionais e acaba tornando-se  por “osmose” o presidente do clube no ano seguinte, já que apenas ele havia restado.

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No grupo também ingressam os amigos de Chika: Kouta, Michitaka e Saneyasu; que são coprotagonistas, todos com personalidades e desenvolvimentos satisfatório durante as duas primeiras temporadas.

E além deles Houzuki, a outra personagem principal da série.

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Ela é membro de uma família e escola de extremo renome no universo competitivo de Koto. Após a morte de seu pai, que tinha um grande talento e carregava o nome da escola nas costas, sua mãe acaba se tornando a líder e toda a pressão de manter o  nível meche com seu emocional e personalidade, o que a leva a depositar tal responsabilidade do status familiar em Houzuki. A partir dai a garota torna-se um grande talento mirim, porém o relacionamento afetivo dela começa a ruir.

Em uma apresentação nacional individual Houzuki escolher uma peça que ofende sua mãe, que decide expulsa-la da escola dos Houzukis. Ela se muda, transfere-se para o colégio Tokise e vive desde então sozinha. Eventualmente decide entrar no clube de koto, já que sua paixão pelo instrumento ainda existe.

Outro personagem que se torna principal é Hiro. Uma terceiranista que entra por vontade própria no clube e começa a criar rumores e pregar a discórdia entre seus membros. Depois de uma conversa séria com Takezo, acaba contanto seu passado e pedindo desculpas.

Ainda no fundamental ela foi acusada por várias garotas de dar encima e roubar namorados de suas amigas, por conta de seu visual, “gyaru”, também acabou ficando mal falada na escola e isso acabou causando sua revolta.

Quando ingressou no ensino médio decidiu que se tornaria aquilo que diziam que era, começando a criar os conflitos e infernizar a vida de várias garotas pela escola. 

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Juntos esses personagens começam a moldar o clube, procurando todos os membros necessários, um professor representante, uma professora de koto e treinando muito a fim de entrar no campeonato nacional e tentar vence-lo, pois aquele era o último ano escolar de Takezo e Hiro.

O anime sabe tratar bem as questões relacionadas a sua temática musical, temos vários episódios focados no treino e aprimoramento de técnicas dos personagens, e alguns que se tratam de competições e apresentação de outros personagens de outras escolas que serão competidores. Mas também é um dos melhores animes que trabalha os dramas que a música e a pressão competitiva pode trazer para quem a pratica.

Além dos próprio arcos dos protagonistas, o de Akira é espetacular.

É impressionante o tato e a habilidade do roteiro de narrar os sentimentos e os dramas pessoais da personagem.

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Em matéria de desenvolvimento de personagens e o relacionamento deles uns com os outros esse é um dos melhores animes, é muito bonito ver a amizade que vai sendo construída de forma natural entre os membros do clube, e como essa vai modificando a personalidade de cada um. Houzuki e Chika por exemplo quando ingressam são carrancudos, no caso da garota até mesmo agressiva e ignorante, porém gradativamente vão se tornando mais comunicativos e vão “sarando” a dor de seus passados por meio de interações com esses.

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O romance também flui bem, apesar de não ser o grande foco das duas primeiras temporadas é bacana ver como os sentimentos amorosos dos dois casais (possivelmente três) vão sendo apresentados. A maneira como começam a nutrir sentimentos uns pelos outros soa natural.

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A direção ficou a cargo de Mizuno Ryouma, que nunca havia dirigido nada além desse anime. De fato é evidente sua falta de bagagem. A direção não chega a ser ruim, mas existe uma grande inconsistência: ótimas e péssimas montagens de cenas.

Visualmente e tecnicamente falando a animação de Kono Oto não representa bem o conteúdo do mangá de Sakura, o design da animação apesar de respeitar os traços da obra original apresentava evidentes problemas de consistência e vários quadros com personagens distorcidos. A fluidez da mesma também é problemática e durante todo o primeiro cour eram poucas as cenas de performances musicais que não eram baseadas em fremes estáticos com cortes rápidos.

Já no segundo cour pelo menos as cenas de apresentação melhoraram, existem vários episódios com plano sequência que podemos ver de fato os personagens tocando os instrumentos, pressionando as cordas, tocando notas diferentes etc. O episódio 12 por exemplo (ou 25 contando as duas metades) é quase que inteiro baseado em uma apresentação.

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Se a produção visual não é tão impressionante, pelo menos a musical funciona muito bem, existem algumas peças que são tocadas de maneiras diferentes dependendo do momento da obra, os personagens durante os treinos por vezes falham e sonoramente isso é bem representado. A direção sonora ficou a cargo de Hajime Takakuwa que já trabalhou em diversas obras mas nenhuma musical até então.

Fora o design de som, a trilha de autoria de Kei Haneoka (responsável por trilhas de animes como Hanamonogatari, Kaguya sama e Owarimonogatari) em si também é de qualidade e bem alocada.

Kono Oto é um anime musical competente que não apresenta nada de novo que o destaque perante outras obras musicais de mais qualidade técnica, contendo problemas visíveis em sua produção. Porém, a qualidade de seus personagens, a naturalidade das relações entre eles, o roteiro e conflitos sociais que cada um vive o tornam interessante e atrativo aos amantes de boas estórias.

Kaguya Sama Love is War

Estúdio: A1 Pictures (Shigatsu wa Kimi no Uso, Ano Hana, Sword Art Online)

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Existem diretores que quando trabalham em alguma obra é certeza de qualidade, esses possuem o dom de tornar aquilo que já era bom em algo ainda melhor, e esse foi o caso de Shinichi Omata em Kaguya Sama, o mesmo que havia dirigido um dos melhores animes da história anos antes “Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu”.

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Esse anime é essencial para quem gosta de animes históricos, ou animes de romances sérios.

Kaguya Sama é uma adaptação de um mangá de mesmo nome escrito por Aka Akasaka.

O roteiro conta a história de dois personagens “tsunderes” que amam-se, mas recusam-se a assumir seus sentimentos um para o outro.

Eles são:

Kaguya Shinomiya. Uma garota muito inteligente pertencente a uma família rica, o que a priva de várias experiências comuns a pessoas “normais”. Esse aspecto é um dos explorados no drama da obra.

Ela é atualmente a vice presidente do conselho estudantil.

O outro é Miyuki Shirogane  o presidente do conselho que é super inteligente, mas não tem linhagem rica.

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O anime funciona como uma batalha psicológica entre os dois, onde cada um utiliza artimanhas, na maioria das vezes muito simples, para induzir o outro a demonstrar seus verdadeiros sentimentos. Como o slogan do anime diz, “Amor é Guerra e Quem Sede Perde” eles vão fazer de tudo para o outro perder.

O bacana desses momentos são as quebras de ritmo.

Você se depara em uma super batalha psicológica entre os dois, ambos dando o melhor de si em suas análises e formulações de planos, mergulhados em reflexões, com um raciocínio avançado e ao mesmo tempo os personagens coadjuvantes vivem suas vidas naturalmente no mesmo ambiente totalmente alheios a esses embates. O que cria parte do ótimo senso de humor da obra.

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Assim como todo bom anime de comédia a adaptação possui ótimas sacadas, piadas variadas, situações cômicas e malucas, um excelente timing cômico, referências ao mundo geek, cultura pop etc e claro bons personagens. Ele sabe inserir diferentes tipos de humor no momento certo, abordando desde piadas maliciosas infantis a humor mais complexo.

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Além de Shirogane e Kaguya, que são bem escritos, o anime apresenta personagens de suporte muito carismáticos, como por exemplo a Chika e Ishigami.

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Mesmo com maior foco na comédia romântica Kaguya Sama trabalha, principalmente em seu arco final, dramas pessoais. E quando os desenvolve funciona bem.

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O traço da animação é muito bonito, modificando-se dependendo da situação.

A animação é de qualidade e alia-se aos momentos de utilização de CGI com perfeição, esse que geralmente é utilizado para criar planos sequenciais ou ângulos diferentes de câmera pelo cenário.

O anime investe em uma estética muito colorida e nítida, utilizando geralmente a palheta de cores avermelhadas.

A fluides da animação segue a qualidade geral. São raros os frames estáticos ou bugados, fica claro que a A1-Pictures investiu bastante nesse anime.

A trilha sonora é muito boa e chiclete, dentre as trilhas do anime uma ficou muito famosa que foi a do ending da Chika dançando na sala do conselho.

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Kaguya sama é um anime único, com uma ideia realmente original, provando que ainda é possível criar algo diferente e inovar em um gênero onde diversas temáticas já foram abordadas. É uma adaptação extremamente bem produzida, com personagens carismáticos e com um ritmo perfeito.

Sem duvidas um dos melhores animes em seu gênero e indispensável para qualquer fan de animes de comédia romântica.

Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru

Estúdio : Production I.G (Ghost in The Shell SAC, Psycho Pass, Haikyuu!)

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Iniciado na temporada de primavera do ano de 2018 e finalizado na primeira temporada de 2019, Kaze Ga adapta uma novel escrita por Shion Miura, a mesma escritora da excelente novel “Fune wo Amu”, também adaptada em um anime muito bom.

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Assista Fune wo Amu, é um dos animes mais underrated que existem.

A adaptação foi produzida pelo estúdio Production I.G, que dispensa comentários, um estúdio renomado que vive uma “boa fase” com suas ultimas produções. Essa qualidade atual é perceptível na obra em seus aspectos técnicos e principalmente visuais.

O anime foi dirigido por Kazuya Nomura que surpreendeu e entregou seu melhor trabalho. Até então na função havia realizado trabalhos em sua maioria medíocres, como na adaptação de Robotic;Notes por exemplo.

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A obra também é muito bem roteirizada e estruturada, trabalho esse que foi feito por Kohei Kiyasu que é dublador e que fez seu primeiro trabalho na função. Ele dublou as vozes de personagens como Ippo e Kaoru Kaidou. 

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Kaoru

Como foi dito um dos aspectos mais impressionantes do anime são os visuais e a adaptação utiliza o mesmo design de Haikyuu, isso porque ambos foram feitos por Takahiro Chiba, que trabalhou em incontáveis animes renomados.

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A animação é muito fluída, o que é extremamente necessário em animes de esportes, as cenas que envolvem as corridas e principalmente as competições, com vários corredores simultâneos, são visualmente estonteantes. A qualidade se equipara ao próprio Haikyuu por exemplo.

O anime utiliza muito cores vibrantes o que intensifica o clima amistoso da obra.

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Um dos pontos mais legais além da fluidez de quadros, ou qualidade de animação dos músculos e movimentos, está na utilização do CGI, se não prestar muita atenção esse passa batido de tão bem “mascarado” foi, assemelhando-se muito à animação 2D.

Mesmo com todas essas qualidades técnicas Kaze ga brilha mesmo em sua qualidade de roteiro. Poucos animes de esporte trabalham de maneira tão realista o relacionamento, evolução esportiva e técnica de parceiros de equipe.

O anime começa quando Kakeru um ex-corredor de maratonas está fugindo após roubar comida em uma loja de conveniência. Sua velocidade é tamanha que impressiona Haiji, um atleta, que o segue e pergunta se gosta de correr. Kakeru acha a situação estranha e aceita o convite do estranho, sendo levado a conhecer a pensão em que esse vive.

Chegando lá estranha o local já que diferente do esperado nenhum dos membros eram corredores, na verdade a maioria deles era visivelmente sedentários.

Kakeru explica que estava sem dinheiro por morar sozinho na cidade onde faz faculdade e por isso roubou comida, então Haiji o convida para morar no dormitório.

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Durante a festa de boas vindas a Kekeru, Haiji faz um discurso e expõe seu plano para os membros da casa. Ele diz que o local é um antigo dormitório do time de atletismo da faculdade de Kansei e que quando todos assinaram o contrato para morar também concordaram em se tornar atletas. Ainda diz que todos formariam um time e participariam  da maratona “Hakone Ekiden”.

Claro que de imediato todos recusaram, mas depois da insistência e da boa vontade do protagonista de tornar seus amigos capazes de correr,  pouco a pouco compram a ideia.

O anime segue com o processo de cada um dos membros começando a aceitar a ideia de correr, apresentando os possíveis dramas e dificuldades enfrentados para conseguirem se classificar.

O conceito em si não é algo inovador, sendo a grande qualidade da obra o desenvolvimento e interação realista desses personagens. Kaze ga consegue fazer algo raro nos animes e trabalha com um cast de personagens principais vasto com muita competência.

Além disso traz discussões mais sérias sobre esporte como: depressão por falta de resultados, diferenças físicas, desempenho e a razão de um atleta praticar atletismo – o anime filosofa bastante sobre isso -.

Outra característica da obra é a faixa etária dos personagens, que já são adultos, o que permite abordagem de assuntos sérios como; trabalho, obrigações e relacionamentos familiares. Não limitado-se ao universo escolar.

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Como citei anteriormente, a melhor parte do anime é o desenvolvimento dos personagens. Falarei rapidamente sobre cada um deles.

Haiji é o principal protagonista, sendo aparentemente aquele tipo de pessoa inabalável e muito extrovertido, porém conforme o enredo segue descobrimos mais sobre os problemas vivenciados em seu passado, percebendo o quão forte ele é para permanecer firme em seus sonhos apesar de todas as dificuldades.

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Diferente dele temos Kakeru, que também viveu problemas no passado relacionados ao atletismo, porém no seu caso tornou-se amargo e muito resistente ao atletismo.

Durante os primeiros episódios, é muito estressado e crítico com seus companheiros de equipe, chegando as vezes até mesmo a ser cruel, porém com o tempo amadurece e percebe o seus erros.

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Akane ou Príncipe, é o meu personagem favorito da obra. Ele é um otaku extremamente sedentário.

Quando obrigado a aceitar o convite para se tornar um dos dez corredores do time esse é fisicamente o que mas sofre por conta de suas limitações fisiológicas.

O bacana a respeito dele é que apesar da fragilidade de seu corpo, apresenta em seus diálogos uma grande personalidade, confrontando Kakeru e contestando várias de suas atitudes a respeito do próprio atletismo.

É muito bacana ver a evolução do personagem melhorando seu desempenho.

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Yukihiko é um estudante de direito que aparentemente é bem sucedido em tudo que tenta, quando surge a necessidade de se juntar ao time de atletismo ele recusa de imediato, porém sem muitas opções começa a correr junto de seus amigos. Como tudo que faz vai melhorando rapidamente.

O grande conflito abordado a seu respeito é familiar, porém não darei spoiler pois é um dos últimos a ser concluído.

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Takashi lembra muito Haiji, ele é uma pessoa muito gentil e com bom astral, as vezes até mesmo esconde seus problemas e busca ignora-los, ou lidar com esses da melhor maneira possível para não prejudicar ninguém. Se isso é bom ou não só assistindo para saber.

Esse protagoniza uma das cenas mais emocionantes da obra.

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Akihiro ou Nico-Chan como é chamado, é um veterano da universidade que como o nome já diz é viciado em cigarros.

O desenvolvimento de seu drama é relacionado ao atletismo, sendo um dos melhores da obra.

No colégio fazia parte do grupo de atletas, porém após seu professor dizer que não tinha futuro no meio, por conta de suas características físicas, ele entra em depressão começando a fumar para suprimir sua tristeza.

Seu arco de superação é muito bonito.

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Musa é um imigrante africano. Sendo um personagem diferente da maioria dos animes com personagens negros, geralmente são representados como brutamontes. Ele é o mais sensível e amigável do grupo.

Com ele o anime aborda um tema muito interessante a respeito de biotipo e genética, principalmente quando um corredor de um time adversário correlaciona o bom desempenho de imigrantes apenas por conta de suas características hereditárias.

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Youhei, ou King, é o personagem mais pessimista do grupo. Ele vive um grande problema relacionado a transição da vida adulta, mais especificamente na dificuldade de ingressar no mercado de trabalho. Mesmo tentando de todas as maneiras não consegue emprego e sofre pressão social e familiar por isso.

O “bacana” é que essa situação acontece bastante na sociedade atual, principalmente na nossa brasileira, o que pode ser um ponto de identificação com o personagem.

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Joutarou e Joujirou são gêmeos e de personalidades muito semelhantes, o anime faz isso propositalmente para nós nunca conseguirmos saber quem é quem e principalmente para desenvolver o romance da obra, onde uma pessoa consegue saber quem é quem por meio de suas personalidades, provando assim seu amor.

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Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru é um dos melhores animes de esporte da história, vale muito a pena para quem curte o gênero e também para quem busca obras com um tom mais realista e bom desenvolvimento de personagens.

Beastars

Orange (Houseki no Kuni)

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Beastars é um mangá escrito e ilustrado por Paru Itagaki, (o mangá também está disponível no Brasil) que recebeu uma adaptação de um cour e já conta com uma segunda temporada planejada para 2020 feita pelo estúdio Orange, um estúdio que possui um grande foco em obras CGI atualmente, responsáveis por exemplo pela  excelente adaptação do mangá de “Houseki no Kuni”.

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Houseki no Kuni

O roteiro foi adaptado por Nanami Higuchi, que até então não tinha tanto renome, que fez um bom trabalho.

O enredo começa nos mostrando animais antropomórficos em uma universidade. Nos somos apresentados a uma cena onde um estudante carnívoro come um herbívoro. Esse acontecimento causa um grande estado e pânico na instituição e alunos.

A vítima era um grande amigo do protagonista do anime Legosi, um carnívoro, lobo cinza.

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Nesse universo carnívoros e herbívoros vivem juntos em sociedade, apesar de sua natureza, onde cada um dos lados tem de conter seus medos e impulsos naturais. Durante a obra as nuances e complicações dessa sociedade conflitiva são desenvolvidos abordando por vezes, de maneira clara, complicações, como por exemplo o maior tabu social que são carnívoros que comem herbívoros.

Em questão de desenvolvimento social da trama lembra um pouco o que acontecia no mangá de “Tokyo Ghoul”: Ghouls que se alimentam de humanos tendo de conter seus impulsos naturais para conseguirem viver em harmonia com suas presas; em Beastars, carnívoros contendo seus instintos naturais.

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Essas questões tornam-se mais interessantes ainda porque a autora foi muito inteligente desenvolver simultaneamente o protagonista Legosi um lobo, e a coprotagonista Haru, uma coelha anã, apresentando visões de mundo dos dois lados da sociedade simultaneamente.

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Após a morte de seu amigo o protagonista fica muito chateado e segue com sua vida.

Ele é membro do grupo de teatro da escola, que aparentemente é o mais importante deles. Lá trabalha nos bastidores e atualmente seus atores estão interpretando em uma peça protagonizada por Louis o atual “Beastar”, termo é dirigido para o animal mais popular e influente da universidade, possuindo tanta importância que suas ações e opiniões impactam na sociedade exterior, como é visto em um dos episódios próximos da reta final.

Legosi é um herbívoro extremamente talentoso na atuação, educado, confiante e digno de respeito. Claro que todas essas qualidades e sua personalidade que por vezes soa esnobe fazem com que ele tenha vários inimigos, principalmente carnívoros que não admitem receber ordens de um ser que é presa natural de sua raça. Essa é uma das temáticas abordadas principalmente no primeiro ato da obra.

Sua personalidade é moldada durante toda a primeira temporada e a conclusão é espetacular, sendo um ótimo coadjuvante.

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Louis pede para Legosi que o ajude no teatro de noite, o protagonista fica na porta esperando quando começa a agir estranho. Ele sente um cheiro e começa a perder o controle. Ao mesmo tempo uma coelha, Haru, estava passando sozinha pelo local. Quando nota que o lobo está a observando, sai correndo, mas é alcançada e agarrada. 

Legosi chega a cortar seu braço, porém consegue recobrar a consciência e a solta. Para sua sorte ela desmaia, e pelo choque, acaba se esquecendo do acontecimento, lembrando somente de alguns fragmentos.

Haru é uma coelha anã, uma espécie rara e por conta disso muito popular entre os coelhos.

Quando entra no colegial começa a sair com vários coelhos e posteriormente diversos herbívoros das mais diferentes espécies, o que eventualmente denigre sua imagem entre as fêmeas que praticam bullying e exclusão social a ela.

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Certo dia Legosi vai ao clube de jardinagem atrás de rosas para o teatro. Quando chega lá depara-se com Haru, que ele quase havia comido anteriormente. Ele tenta se desculpar, mas é mal compreendido e levado para uma sala onde Haru começa a se despir, porque pensa que ele queria fazer sexo. Legosi não entende nada e sai correndo.

No dia seguinte ambos conversam no refeitório e Legosi percebe que essa não lembra de nada. Ambos gradativamente desenvolvem uma amizade, mesmo que ele ainda guarde culpa por ter tentado mata-la. Com o tempo ele começa a nutrir sentimentos românticos, o que representa certo tabu nessa sociedade, afinal são de características naturais diferentes.

A trama foca nesse relacionamento simultaneamente ao arco de Louis e carnívoros que querem sabota-lo, e solução do mistério do carnívoro que comeu o herbívoro na escola.

A obra vai tomando outros rumos, inclusive apresentando a sociedade dos adultos, questões de tráfico de drogas, pessoas, órgãos e criminalidade no geral são abordados. Temas pessoais como sexualidade, preconceito, evolução pessoal, natureza individual e até conceitos de psicologia são apresentados. Como por exemplo na questão de Legosi, um carnívoro com instintos de querer comer herbívoros (id) sendo contidos por seus princípios pautados pelas regras sociais (superego). Mais tarde o tema da sexualidade é também desenvolvido, mas deixarei a surpresa para quem assistir.

É realmente impressionante como a obra aborda temáticas tão humanas e frequentes na nossa sociedade utilizando seres fantasiosos antropomórficos como personagens.

O diretor da série foi Shinichi Matsumi, que havia trabalhado em uma das versões de Garo. Em Beastars ele executa um trabalho impressionante, várias das cenas mais marcantes do ano de 2019 são desse anime. Soube trabalhar tanto momentos polêmicos, quanto emotivos.

A trilha sonora teve como compositor Satoru Kousaki o mesmo das trilhas de Monogatari. Aqui como de costume entregou faixas de qualidade. A trilha do episódio 11 é espetacular.

Visualmente o anime me preocupava quando foi anunciado, já que foi feito em CGI e raramente os que utilizam essa técnica funcionam bem, o próprio Houseki no Kuni é um desses raros exemplos. Felizmente o estúdio Orange entrega um bom trabalho.

A animação tem muitos detalhes, algo raro para animes CGI. Seu caracter design  apesar de diferente da obra original funciona bem, os detalhes da pelagem dos personagens e sua movimentação são pontos beneficiados pela tecnologia.

Além da qualidade do CGI a abertura do anime chama bastante atenção, não somente pelo jazz de qualidade, mas por seu visual em stop motion.

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Beastars é uma obra de premissa interessante com um ótimo desenvolvimento de personagens. Apresentando reflexões que utilizam esse universo fantasioso como mecanismo para questionar e refletir situações da nossa realidade.

Menções Honrosas:

Doukyonin wa Hiza, Tokidoki, Atama no Ue.

Zero-G

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Esse é um bom anime sobre desenvolvimento de protagonista. Conta a história de um escritor de livros solitário que perdeu seus pais recentemente em um acidente de carro. Um dia visitando o túmulo de seus pais ele encontra um gato e o acaba adotando. 

A trana foca na interação do animal de estimação, mostrando como essa pode influenciar nos sentimentos e personalidade de alguém.

A obra também trabalha bem o universo de animais de estimação, explicando sobre tipos de ração, coleiras, sentimentos dos animais,  melhor maneira de cuidar, etc.

Sem duvidas os melhores momentos da obra são quando o foco sai de Subaru e se direciona para Haru. Onde essa torna-se personificada, com dublagem em monólogos. É muito engraçado e curioso ver como funciona (teoricamente) a consciência do animal.

A animação e direção é simples porém competente, a melhor qualidade da obra fica sem duvidas com o roteiro adaptado, escrito por Mieno Hitomi.

Para quem busca um anime sobre animais de estimação esse é um dos melhores.

Hitoribocchi no Marumaru Seikatsu

C2C

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Hitoribocchi significa solitário em japonês e também é o nome da protagonista da série “Hitori Bocchi”, que como o seu nome diz é uma garota com dificuldades de se relacionar socialmente.

Por conta desse problema sua única amiga do fundamental diz que deixará de ser sua amiga se Hitori não conseguir fazer amizade com toda sua sala no colegial.

O anime desenvolve Bocchi tentando fazer amigos na escola e vencendo gradativamente sua forte fobia social com o apoio das amigas que fez.

Tanto a protagonista como as personagens secundárias são cativantes. Cada uma  possui personalidades únicas e que interagem coerentemente umas com as outras. O trio de personagens principal é muito divertido.

A obra mostra esse drama social da protagonista de uma maneira muito convincente, ela sofre tanto para se envolver com outras pessoas que por vezes sente ânsia de vomito, gagueja, trava etc.

Animação e direção são boas, não se destacam mas não comprometem o anime.

Sua grande qualidade fica com o roteiro escrito por Jukki Hanada (de animes como Sora yori mo Tooi Basho)  que sabe criar um excelente timing cômico em conjunto com uma mensagem muito interessante sobre fobia social e amizade.

Outro ponto muito forte fica com a trilha sonora composta por Ryuichi Takada e Hidekazu Tanaka que possui uma qualidade muito alta e conta inclusive com várias trilhas gênero bossa nova e pagode. 

Para quem busca uma comédia colegial divertida com uma mensagem implícita interessante assista Hitoribocci é um dos melhores animes escolares do ano.

Given 

Lerche

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O anime conta a estória do relacionamento de dois personagens principais, Ritsuka um guitarrista de uma banda underground instrumental e membro do clube de basquete da escola, e Mafuyu, um garoto desligado e misterioso que acabou de mudar de escola.

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A trama começa quando Ritsuka vai tirar um cochilo em uma escada próxima ao último andar e se depara com Mafuyu dormindo com uma guitarra no colo. Como ele é músico fica curioso e quando o garoto acorda começa a fazer perguntas relacionada, porém acaba percebendo que esse não sabe nada a respeito do instrumento.

Mafuyu percebe o conhecimento de Ritsuka e pede para que o ajude a aprender tocar, Rituska acaba aceitando e o leva para conhecer sua banda.

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Além dos dois protagonistas o anime trabalha bem outros dois personagens que são praticamente coprotagonistas:

Akihiko. Inicialmente segue o esteriótipo de personagem fodão e garanhão, mas que com o desenvolver do anime demonstra um lado mais humano, sensível e racional. Ele funciona como um “paizão” dos personagens os aconselhando em alguns momentos.

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E Haruki. Esse também demonstra muita maturidade, mas guarda sentimentos retraídos em seu íntimo por questões sociais.

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A trama foca no desenvolvimento técnico dos personagens no âmbito musical, o passado de Mafuyu e relacionamento dos personagens que surpreendentemente é realista, não entrando em arquétipos problemáticos característicos de animes shounen ai. O romance é orgânico, ambos possuem sincronia apesar de suas diferenças de personalidade.

Ritsuka é o clássico personagem estressadinho de animes, ele tem dificuldade de entender os sentimentos de alguns personagens, mas no geral tem um bom coração.

Mafuyu por sua vez segue o estilo desligado, lembrando bastante o Kuroko de “Kuroko no Basket”, apesar disso ele não é “inocente” e enfrenta com determinação os conflitos que seu passado deixou pendentes.

Em síntese, a trama de Mafuyu e todo o seu mistério não é nada inesperado ou revolucionário, dezenas de animes de romance já trabalharam com temas parecidos, porém por mais padrão que seja, sua construção é natural e crível.

Sem duvidas o ponto mais interessante tecnicamente da obra está na sua produção sonora, afinal é um anime sobre música. Existem vários momentos com os personagens falando sobre equipamentos (amplificadores, pedaleiras, marcas de guitarras, cordas etc) e indo em lojas desses equipamentos (lembra um pouco o que Nodame Cantabile fazia em seu anime, só que lá eles falavam sobre peças de música clássica), também fala sobre composição e universo musical do gênero, existe um momento que um dos personagens pegam um cd de AM do Arctic Monkeys por exemplo.

A qualidade de equalização do áudio enquanto os personagens tocam, praticam e performam é absurda, se equiparando-se à animes como Hibike Euphonium. Trabalho que foi feito por Hiromi Kikuta, uma lenda da direção de som de animes.

Uma curiosidade bacana a respeito dos episódios é que assim como “Carole e Tuesday”, Given também coloca nomes de músicas populares em seus títulos. Como a “Fluorescent Adolescent” de Arctic Monkeys usada no episódio 6.

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A trilha em si é excelente, seja nas aberturas, insert songs (a música do ep 8 é incrível) e na ost. Ela foi composta por Michiru, que esse ano também fez a trilha de 7 Seeds, que apesar dos problemas que tinha, a trilha possuía qualidade.

A animação também é muito boa e possui uma estética agradável, passando um tom de leveza.

As performances das apresentações são críveis, lembrando animes como Hibike Euphonium e Nana.

O um único “problema” dessas está na utilização de cgi nos dedos dos personagens. Não chega a incomodar, porém é um recurso que era utilizado em vários animes antigamente como Beck e Nodame Cantabile, hoje são técnicas pouco utilizadas.

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A direção de Hikaru Yamaguchi também ficou bem feita. Apesar de não ter tanto renome quanto outros nomes da staff, cenas como a do citado episódio 8, são marcantes.

Para quem busca um excelente anime musical, ou um bom romance homossexual, Given atende a essas demandas.

Vinland Saga

Wit Studio (Shingeki no Kyoijin, Owari no Seraph)

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Adaptação de um mangá excelente e premiadíssimo, (escrito e ilustrado por Mokoto Yukimura o mesmo autor do também muito bom Planetes) sendo considerado por muitos um dos melhores de todos os tempos. Vinland recebeu o tratamento que qualquer fan de mangás seinen de ação sonharam algum dia, visto que várias obras como Berserk, Claymore, Kingdom e Blade por exemplo já tiveram problemas com a qualidade de suas adaptações, ou com hiatos e cancelamentos.

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Aparentemente Blade está tendo uma adaptação realmente decente agora

O universo é situado durante o período medieval da invasão dos vikings unificados (dinamarqueses e noruegueses) o chamado “Grande Exército Pagão” contra a Inglaterra-Anglo Saxã.

A trama começa alguns anos antes do início do conflito quando Thors; um dos mais importantes membros dos Jomsvikings (vikings de Jomsburgo), um grupo de mercenários vikings lendários; forja sua morte e foge com sua mulher Hilda e filha Ylva para a Islândia. 

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La vivem durante 16 anos como um fazendeiros comuns, porém certo dia um de seus antigos companheiros e atualmente um dos principais generais do grupo, Floki, desembarca no porto da cidade e ameaça Thors, dizendo que caso não voltasse para os Jomsvikings o povoado em que vivia sofreria as consequências.

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Jomsvikings

Thors acaba aceitando a proposta irrecusável e forma uma pequena tripulação de jovens moradores fazendeiros que queriam ir para a guerra e com auxílio de um grande amigo Leif, um marinheiro de renome, parte para a Dinamarca.

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Leif é inspirado em uma figura histórica de mesmo nome que se tornou famosa por suas aventuras de navegação.

Durante o trajeto descobre que seu filho de seis anos, Thorfinn, havia se escondido na embarcação, segundo a criança ele queria lutar na guerra ao lado de seu pai. – Por mais idiota que isso soe deve-se levar em consideração que o garoto vive em uma época onde a guerra é sinônimo de honra e esse é uma criança com idéias infantis correspondentes a sua idade -.

Como Thors é agora um pacifista que sabe os horrores da guerra e presa pela segurança das pessoas da sua vila e filho, ele combina com Leif de parar em um porto onde seu amigo voltaria com a tripulação e deixaria Thors sozinho. Porém isso acaba não sendo possível e antes de chegar em um porto comercial, onde pretendiam desembarcar, os navios são atacados em um vale bloqueado por destroços jogados por piratas.

Esses são liderados por Askeladd, um pirata viking renomado que recebeu um pagamento de Floki para assassinar Thors.

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Floki

Askeladd manda inicialmente seus capangas para matar Thors porém o protagonista não era chamado de Troll de Jomburgo por acaso, e apenas com os punhos derrota vários, inclusive Bjorn, o braço direito de Askeladd que estava em “modo Berserker” após ingerir cogumelos.

Durante essa batalha Thorfinn aparece no convés do barco armado com uma das adagas de seu pai.

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Askeladd

O pirata então se vê na necessidade de enfrentar o guerreiro. Eles começam a conversar e durante a conversa Bjorn toma Throfinn como refém.

Thors fica preocupado e irritado e propõe um duelo honrado contra o pirata em troca da segurança de Throfinn. Askeladd aceita.

Depois de derrotado o pirata que quebra covardemente o acordo e ordena que seus capangas o mate com flechadas. Throfinn vê toda a cena e começa a chorar de ódio pois não aceita que Askeladd matou seu pai quebrando o trato de duelo justo

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O resto da tripulação é liberada mas o protagonista, em um ato impulsivo, esconde-se em uma das embarcações de Askeladd, pois queria ter sua vingança.

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Thorfinn possesso pela morte de seu pai.

Porém isso só traz desgraças para sua vida, já que tem de sobreviver no meio da tripulação do homem que matou seu pai, sobreviver em meio a batalhas, saqueamentos e massacres que esses realizavam, ainda sendo uma criança.

O anime segue com Thorfinn aprendendo a lutar, crescendo como vinking, vivenciando todos os horrores da guerra e sempre tentando derrotar o assassino de seu pai. Eventualmenteacaba trabalhando para Askeladd em troca de duelos que nunca consegue vencer. Quando percebemos ele já faz parte do bando do homem que odeia.

Thorfinn opta por não matar Askeladd em emboscadas pois deseja honrar a memória de seu pai, o matando em um duelo justo, como verdadeiros guerreiros fazem.

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A obra escalona de maneira progressiva. O bando de Askeladd é envolvido em vários conflitos complicados contra diversos inimigos poderosíssimos como Thorkell. Também envolve-se em tramas políticas relacionadas a guerra da Dinamarca e Inglaterra, o que culmina em conflitos internos.

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Thorkell ou Thorkell The Tall, diferente de Leif e igual a Askeladd é relacionado a contos dos vikings.

Durante todas essas situações o anime contrói o caráter e personalidade de cada um dos personagens, tendo como destaque: O próprio Thorfinn, o príncipe Canute (não falarei sobre ele porque aparece já no 3/4 da obra) e claro Askeladd.

É impressionante como o último influência as pessoas ao seu redor, e vai mudando de personalidade, ou melhor, demonstrando sua verdadeira face durante a estória. Ele de fato é um antagonista carismático que praticamente leva a trama dessa primeira temporada nas costas.

Sobre Thorfinn, muitos reclamam de sua personalidade, principalmente pelo fato de ficar sempre bravejando, não pensar antes de agir e sempre estar atrás de duelos contra Askeladd. Porém deve-se levar em consideração que ele é um homem que vivenciou experiências traumáticas ainda jovem que mudaram completamente seu ritmo de vida e personalidade, o obrigando a aprender repentinamente maneiras de sobreviver a barbárie. Deve se analisar os motivos que o tornaram uma máquina de matar. 

Se o espectador ter paciência receberá uma boa resolução para essa personalidade conturbada e aparentemente unidimensional próximo ao final da temporada.

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Como já foi citado Thorfinn é uma figura histórica real e tudo indica até então que o mangá seguirá os acontecimentos reais da figura histórica.

Vinland também é notório por levantar discussões abordadas de maneira madura sobre assuntos complicados como: escravidão, conquistas, reflexões sobre o passado de nações e como essas foram construídas, barbárie, natureza humana, existencialismo, religião; fazendo vários contra pontos e comparações sobre a dogmática do cristianismo e o paganismo, questionando os ensinamentos e costumes dessa religião, mostrando visualmente o preconceito que os vikings tinham com os católicos e o medo que os cristãos tinham dos pagãos; a obra também trata sobre poder e o que é feito para mante-lo, amizade, ódio, vingança, ambição, paternidade, e assim vai. Há brechas para reflexões.

Um dos temas mais interessantes abordados é a dualidade, sendo Askeladd um dos mecanismos para o desenvolvimento desse. Ele é um personagem que faz coisas horríveis porém não é essencialmente mal o tempo todo. Esse quer proteger algo e para isso está disposto a machucar outros. Pode parecer errado, porém Thorfinn, por exemplo, também assassina diversas pessoas a fim de conquistar sua vingança. Será que ele realmente é o herói da história?

Vinland Saga expõe sutilmente que não existe “bom” ou “mal”, apenas humanos em tempos de barbárie guiados por suas próprias ambições.

Ainda sobre as reflexões que apresenta, existem dois momentos específicos espetaculares sobre história e práticas realizadas nesse período:

Em um episódio específico, Askeladd está torturando um morador inglês buscando informações sobre uma divisão do exército que os estavam perseguindo. O homem começa a surtar e diz que os vikings são bárbaros e que não merecem saquear e tomar o país, diz ainda que eles são demônios violentos. Askeladd então começa a citar a história da região para o morador.

Ele explica que antigamente os celtas viviam ali, posteriormente os romanos haviam chegado e entrado em contato com o povo celta, os auxiliando em técnicas de agricultura e organização social. Anos depois a região foi invadida pelos saxões, que mataram os romanos e celtas, saqueando, violentando e destruindo tudo que os povos haviam construído. Esses eram os antepassados dos atuais moradores da Inglaterra Anglo-Saxã.

Sua frase: “A diferença de nós vikings para vocês saxões é que nos tomaremos suas terras de maneira ainda mais violenta”; é simplesmente sensacional.

Não só a obra cita períodos históricos, como apresenta a hipocrisia humana e sua falta de conhecimento sobre o passado, provando que por poder todos agem da mesma maneira. O diálogo também ajuda a dar ainda mais peso para o personagem, mostrando que possui conhecimento.

Em um episódio, uma escrava está trabalhando como garçonete quando deixa cair algo no chão, então o dono do local começa a bater nela. Durante essa cena Bjorn estava conversando com Askeladd. Ele perguntao porque de Thorfinn não sair do barco e ir jantar com eles, porque ainda mantinha a ideia de vingança. De maneira perspicaz esse responde: “Todo mundo é escravo de alguma coisa”.

A frase fazia referência à: Thorfinn, escravo do desejo de vingança; ao dono dos escravos, escravo do poder; e a ele mesmo: escravo de suas ambições.

O roteiro foi adaptado por Hiroshi Seko, que foi scripter de vários episódios de SNK, Levius e Owari no Seraph. Junto dele estava Kenta Ihara que trabalhou com ele em Levius, Zankyou no Terror e Ajin.

A adaptação do roteiro ficou excelente. Segundo os próprios roteiristas houveram algumas pequenas mudanças, porém nada que prejudicou a fidelidade do material original. Vinland Saga é impressionante pela qualidade de narrativa e trama, onde não esquece se desenvolver núcleos e personagens. Todos os conceitos e função desses personagens possuem sentido e conclusões.

Historicamente falando não chega a ser um livro de história, porém grande parte dos acontecimentos que temos conhecimento e registros históricos são citados ou demonstrados de uma maneira satisfatória.

A abordagem do autor nesse sentido lembra o que “Cornwell” fez em seus livros das “Cronicas de Artur” e “Cronicas Saxônicas”, personificando lendas, criando personagens plausíveis de existirem no período, além de dar personalidades para figuras históricas reais.

Vale a pena deixar claro que Vinland Saga ainda é um anime então cenas de personagens executando movimentos sobre humanos são comuns.  

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Uma das melhores leituras que experimentei, recomendo muito para quem curte obras medievais.

A direção da obra ficou a cargo de Shuuhei Yabuta, que apenas havia dirigido Inuyashiki, problemas daquele anime a parte, a direção não era um deles, o anime possuía excelentes cenas. Por conta disso é de se esperar que Vinland Saga possuísse excelentes momentos. Yabuta entrega cenas memoráveis, épicas e lindíssimas, a qualidade do trabalho é praticamente perfeita.

A trilha sonora foi composta por Yukata Yamada, um compositor novo que trabalhou em algumas temporadas de Tokyo Ghoul e está fazendo a trilha de Babylon. De todos os seus trabalhos sem duvidas esse é o mais marcante, o tom épico esperado de obras audiovisuais medievais é entregado. Faixas épicas, agressivas e empolgantes compõem a OST.

O áudio do anime (dirigido por Shouji Hata, nome renomado no assunto) é um ponto que também apresenta muita qualidade, sendo de suma importância para a atmosfera criada. O som dos instrumentos de guerra, os navios no mar, a ambientação sonora das tavernas, o som do ambiente e o das batalhas são incríveis. 

A animação é absurda, é impressionante como o Wit Studio conseguiu entregar um anime tão bonito quanto Shingeki no Kyojin. A animação 2D é agradável e fluída, nunca possuindo quedas de qualidade; já o CGI, utilizado em momentos específicos como os que envolvem navegações, funciona bem.

O character design mostra todo o seu potencial durante os closes na face dos personagens, são momentos onde torna-se extremamente detalhado. É muito visceral.

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De qualidade equivalente é a direção de fotografia, todos os cenários são verossímeis e correspondem ao período e locais históricos.

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Vinland Saga é um marco para adaptações de seu “tipo”. É raro ver um seinen de qualidade ser adaptado com tanto carinho e fidelidade ao material original. Espero que haja uma segunda temporada e que mais mangás e novels semelhantes recebam um trato como Vinland.

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